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August 08
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RESUMO HISTÓRICO
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Terra habitada pelos índios goitacás, que os jesuítas apelidaram de “tigres humanos”, graças à sua ferocidade, São João da Barra começou a ser colonizada pelo donatário da Capitania de Paraíba do Sul, Pero de Góis, que ergueu a “Vila da Rainha”, em 1539, perto do rio Itabapoana, duas vezes destruída pelos goitacás. A povoação ficava em território do atual município de São Francisco do Itabapoana. Os goitacás eram índios diferentes das demais tribos encontradas no Brasil, com linguagem, costumes e até mesmo compleição física distintos. Eram exímios corredores e nadadores – dizem que pegavam tubarão a nado (com um batoque) e veados campeiros na carreira – e por não se miscigenar, não deixaram marcas além de raros sambaquis. Só se sabe deles que moravam em casas construídas no alto das árvores por causa das cheias do rio Paraíba do Sul. Durante quase 100 anos não deram trégua aos colonizadores e foram finalmente exterminados através de guerra bacteriológica: os portugueses pontilharam suas trilhas com roupas infectadas por varíola ou gripe. Não sobrou um e até hoje não se sabe sequer que língua falavam. Todos os topônimos da região são de origem tupi. Na outra ponta, na Barra do Açu, ao sul do município, em 1627, com o beneplácito da Coroa Portuguesa, os Sete Capitães ergueram seu último curral para criação de gado vacum. Muitos desses animais fugiram e metendo-se nos matos retornaram ao estado selvagem. Por não terem dono, suas crias eram chamadas de “gado de vento”, que qualquer um podia pegar e deram início a muitas fazendas de pecuária surgidas depois. O marco de pedra deixado pelos Sete Capitães desapareceu. Em 1648, por determinação da Coroa, o Visconde de Asseca ficou com parte dessas terras. A primitiva povoação da atual cidade de São João da Barra nasce de arraial na foz do rio Paraíba do Sul, em Atafona, erguido em 1622 pelo pescador e comerciante de artigos de pesca de Cabo Frio, Lourenço do Espírito Santo, que chega liderando um grupo de famílias e se instala próximo ao local onde se ergue a igreja de Nossa Senhora da Penha. Em 1630, após a morte por afogamento de sua mulher, Lourenço e seu grupo sobem o rio e a quatro quilômetros da foz, na parte mais alta da margem direita, onde provavelmente existia um pouso para tropeiros, cria uma nova povoação com o nome de São João do Paraíba do Sul. Ergue uma capela em louvor a São João Batista, que em 1644, ainda coberta de palha, é reconhecida pela Igreja do Rio de Janeiro como matriz, sendo assim uma das mais antigas da província. Em 1753, graças ao “Levante dos fidalgos”, a Coroa portuguesa reassume a parte da capitania dominada pelos viscondes de Asseca e a anexa à capitania do Espírito Santo, onde permanece até 1832. Para retomar a posse das terras, os Assecas, por determinação da Coroa, fundam as vilas de São Salvador e São João da Praia. Em 6 de junho de 1676 (ou 1677, segundo alguns autores) a povoação torna-se vila. No início do século XVIII o porto começa a se desenvolver. Em 1740 inicia-se o ciclo da construção naval, com o lançamento do barco “São João e Almas” do estaleiro de Manuel Francisco Brazin, Domingos Belchior e Domingos d’Oliveira. Seis estaleiros e várias companhias de navegação se estabelecem na vila. Em 1847, o imperador Pedro II faz a primeira de suas três visitas à vila e em 1850 a eleva à categoria de cidade, com o nome de São João da Barra. O porto cresce e os consulados de Portugal e Espanha e os vice-consulados do Império Britânico e dos Países Baixos são instalados. Na planta da vila, de 1858, constam os locais dos dois prédios ocupados por esses consulados na praça São João Batista. Em épocas de maior movimento, cerca de 70 navios aportavam por mês no cais. Pode-se dizer que a penetração, colonização e desenvolvimento do interior do norte e parte do noroeste fluminense passaram pelo cais sanjoanense. Por ele se escoava a maior parte da produção agrícola da região. A feira de Gargaú – na outra ponta do delta - tornou-se famosa como entreposto comercial. Problemas com a instabilidade do canal navegável do rio e a troca, por motivos políticos, dos práticos dos rebocadores que iam buscar os navios fora da barra, o que provocava acidentes e perda de carga, o desmazelo no recebimento e guarda dos produtos nos trapiches e a chegada dos trilhos da estrada de ferro até Atafona foram inviabilizando o movimento portuário. O governo imperial manda abrir o canal Campos-Macaé, em 1875, para desviar o embarque de cargas pelo porto de Imbetiba. O canal se mostrou inviável. A chegada da estrada de ferro esvazia nosso porto. Uma política predadora de dumping por parte da Estrada de Ferro Leopoldina Railways acabou por encerrar as atividades do porto. Até depois da 2ª Guerra Mundial alguns navios das Companhias dos Irmãos Raposo e dos Araújo ainda freqüentavam o cais, mas o desinteresse do país pela navegação de cabotagem deu o golpe final nas atividades portuárias sanjoanenses. Os últimos navios atracaram no cais de pedra, construído no início do século XX pelo Barão de Barcelos, por volta de 1948. A partir daí a embarcação utilizada no transporte de passageiros e de mercadorias para a outra banda do município, onde ficavam três distritos, passa a ser a prancha, enorme canoa movida a vela ou a vara e batelões. O município entra em decadência e passa a viver da agricultura e pecuária, fabricação de vassouras e palhões (esteiras e embalagens para garrafas feitas com palha de tabua), do açúcar da usina Barcelos – o primeiro estabelecimento industrial do país a não utilizar a mão de obra escrava, inaugurado por D. Pedro II em 1875 - e da fábrica de conhaque de alcatrão, fundada em 1915 por Joaquim Thomaz de Aquino Filho. Em 1961 foi criada a Tecex, Fiação e Tecelagem, por Dirceu da Graça Raposo. Hoje o município conta com uma empacotadora de leite, fazendas de criação de ovinos e bovinos, haras e criação de tilápias em cativeiro em Atafona e olarias. É o maior produtor de quiabo e maxixe. Em 1996, depois de um plebiscito, a parte norte do município, que correspondia a cerca de dois terços de sua área, emancipou-se, formando o município de São Francisco do Itabapoana. Um dos poucos casos no país em que uma parte maior se desprende da menor, onde fica a antiga sede. Assim como caso único no país foi o afundamento da plataforma de petróleo que explorava o poço de Roncador. São João da Barra é única.
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